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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mantega diz que não pode usar 'bomba nuclear' para inflação


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ISABEL VERSIANI
PEDRO DA COSTA
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta quinta-feira o acerto da estratégia do governo para mitigar a valorização do real, mas admitiu que combinar isso com o combate a inflação é difícil.
Mantega negou que esteja tomando medidas em "conta-gotas" e falou que um exagero poderia ser danoso. "Você não explode uma bomba nuclear porque se não os efeitos colaterais são piores que a medida em si", disse à Reuters antes das reuniões do G20 e do Fundo Monetário Internacional. 'Temos tomado medidas severas.'
Molly Riley /Reuters
Em Washington, Mantega diz que não pode explodir 'bomba nuclear' para conter inflação e segurar desvalorização do dólar
Em Washington, Mantega diz que não pode explodir 'bomba nuclear' para conter inflação e segurar desvalorização do dólar
As declarações vêm num momento em que os índices de inflação se aproximam do teto da meta fixada pelo Banco Central para 2011, de 6,5%, enquanto o dólar segue numa trajetória cadente frente ao real.
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Segundo o ministro, sem as medidas tomadas pelo governo no câmbio, o dólar poderia estar agora entre R$ 1,35 e R$ 1,40 --nesta quinta, a moeda norte-americana fechou a R$ 1,580.
"Não é fácil conseguir conter a inflação, o que significa aumentar os juros, e ao mesmo tempo tomar medidas para conter a valorização do real", disse o ministro. "Mas acho que temos conseguido."
Na semana passada, o governo dobrou para 3% a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incidente nas operações de crédito ao consumo, em mais um esforço para tentar desacelerar a economia.
Em dezembro, o BC havia adotado medidas macroprudencias com o mesmo objetivo. Segundo Mantega, elas estão funcionando. Em outra frente, o BC elevou o juro básico em 1 ponto percentual. Na semana que vem, os diretores do órgão devem adotar um aumento entre 0,25 e 0,5, segundo estimativa do mercado.
O receio do governo e de vários economistas é de que juro mais alto intensifique a entrada de dólares no país que tem valorizado o real e prejudicado setores da economia brasileira.
De acordo com Mantega, é preferível aumentar a taxação sobre a entrada de dólares do que impor restrições mais severas, como uma quarentena. Ele disse que o Brasil continua querendo capital de longo prazo.
"Quando você cobra IOF, está simulando a mesma coisa. Preferimos fazer com taxação do que fazer com quarentena. Mas dá mais ou menos na mesma", afirmou.
O ministro disse ainda que o Brasil não aceitará qualquer restrição à capacidade de impor controles de capital que ameacem prejudicar a economia do país.
METAS PARA 2012
Mantega adiantou que o governo pretende estabelecer o equivalente a 3% do PIB (Produto Interno Bruto) como meta de superavit primário em 2012, dentro da expectativa de que a economia se expanda em 5 por cento no período.
Na sexta-feira, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, falará sobre o Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2012, encaminhado ao Congresso Nacional.
O ministro ainda voltou a criticar a política de juros baixos praticada por países desenvolvidos que, segundo ele, contribuem para a especulação com as commodities, cuja alta é um dos motores da inflação global.

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