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terça-feira, 12 de abril de 2011

Dilma admite 'grande preocupação' com câmbio.


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CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A PEQUIM
Atualizado às 14h47.
A presidente Dilma Rousseff admitiu nesta terça-feira ter "grande preocupação" com o valor excessivo do real, na comparação com o dólar.
"Estamos tomando todas as medidas possíveis [para enfrentar o problema]", afirmou a presidente na China.
Dilma listou as causas da valorização do câmbio, como a inundação de recursos provocada pelo mecanismo chamado de "quantitative easing" (injeção de dinheiro na economia) adotado pelos Estados Unidos, passando pelo ajustes orçamentários nos países desenvolvidos e chegando "até ao fato de o Brasil ainda operar com taxa de juros mais elevada do que o resto do mundo".
A presidente acrescentou que "não é uma situação que se resolve por decreto". Mas disse que o governo está "consciente, alerta e tomando as medidas necessárias para que o problema não fique maior do que já é".
JUROS
Dilma repetiu que pretende "necessariamente buscar uma taxa de juro compatível com a internacional". "Qual é?", perguntou um repórter."Ninguém pode responder", afirmou ela.
Outro repórter quis saber se era factível derrubar os juros sem estimular a inflação, ao que Dilma ponderou que a queda dos juros "não é para depois de amanhã, mas em um horizonte de quatro anos".
CENÁRIO
O governo aumentou as taxas dos empréstimos de até dois anos no exterior para bancos e empresas, que pagarão um IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 6%.
A medida não segurou a valorização do real, que na segunda-feira fechou com uma cotação de US$ 1,57.
Com um crescimento de 7,5% em 2010, o Brasil se tornou um dos destinos favoritos para os investidores em curto prazo do mundo inteiro.
No primeiro trimestre do ano entraram no país US$ 35,592 bilhões, 40% a mais que o total de 2010, um recorde histórico, informou nesta semana o Banco Central.
Reportagem da Folha de hoje mostra que a piora do cenário para a inflação também já leva alguns economistas a apostar que o BC terá de mudar de estratégia e adotar política mais agressiva no combate à alta de preços.
Nos últimos meses, o BC adotou medidas para conter o forte ritmo de expansão do crédito --que contribui para a alta da inflação-- e elevou a taxa de juros duas vezes, de 10,75% para 11,75% no total.
Para analistas, a autoridade monetária indicou que voltará a subir os juros em até 0,5 ponto percentual em reunião na próxima semana, encerrando o aperto monetário.
Mas resultados da inflação piores do que o esperado nas últimas semanas e forte deterioração nas previsões do mercado têm levado a apostas que o BC será forçado a subir a taxa de juros novamente no segundo semestre.

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