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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Obama lança plano de cortar déficit dos EUA em US$ 4 tri em 12 anos







Medidas irão proteger classe média, aposentados e investimentos, disse.
Tamanho dos cortes causa confronto entre democratas e republicanos.

Do G1, com agências internacionais
O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira (13) que planeja reduzir o déficit público dos EUA em US$ 4 trilhões em no máximo 12 anos.
Obama, que é candidato à reeleição em 2012,  anunciou seu plano de cortes de despesas em um discurso na Universidade George Washington, na capital.
O democrata garantiu que os cortes "colocam todos os gastos sobre a mesa", mas protegem a classe média, os aposentados e os investimentos no futuro.
O plano será aplicado gradualmente, para não atrapalhar a recuperação econômica e não afetar o mercado de trabalho, segundo a Casa Branca.
O presidente dos EUA, Barack Obama, anuncia seu plano para reduzir o déficit público, nesta quarta-feira (13), em Washington (Foto: AFP)O presidente dos EUA, Barack Obama, anuncia seu plano para reduzir o déficit público, nesta quarta-feira (13), em Washington (Foto: AFP)
Obama disse que resolver a questão do déficit vai requerer "sacrifícios amplos". Ele pediu dedicação dos parlamentares democratas e republicanos para que trabalhem para transformar o plano em leis.
A aprovação do plano deve enfrentar dificuldades, pois a maioria dos republicanos é contra aumentos de impostos, e os democratas estão resistindo em aceitar cortes nos gastos públicos.
Obama advertiu que o crescente déficit poderia custar empregos, afetar a economia e forçar o país a ter de emprestar mais de outros países, como a China.
"Se nossos credores começarem a se preocupar que podemos não conseguir quitar nossas dívidas, isso poderia elevar as taxas de juros para todos que emprestam dinheiro", disse. "Ficando mais difícil para os negócios se expandirem e contratarem, os para famílias conseguirem hipotecas."
"Mas nós podemos resolver esse problema", disse.
Benefícios
O tamanho dos cortes no orçamento federal vem provocando acirrados debates entre o governo democrata e a oposição republicana, que quase provocaram a paralisação da máquina federal na semana passada, resultando em um acordo de última hora para aprovar o orçamento do restante de 2011.
Antes de discursar, Obama se reuniu com líderes democratas e republicanos no Congresso.
Ele pediu aos líderes da Câmara e do Senado que designer deputados e senadores que participariam de reuniões em maio com o vice-presidente Joe Biden com o objetivo de "chegar a um acordo sobre a estrutura legislativa de uma redução abrangente no déficit".
Os EUA devem atingir o teto de endividamento até 16 de maio, e as autoridades do Departamento do Tesouro acreditam que o país pode ser obrigado a declarar o não pagamento de suas dívidas até 8 de julho se esse limite não for expandido.
Plano
O plano inclui aumentos de impostos - particularmente para os mais ricos - e cortes nos gastos com as Forças Armadas e planos de saúde públicos, entre outros. 
Obama pediu também a eliminação de uma série de isenções fiscais, algo que corresponderia a US$ 1 trilhão dos US$ 4 trilhões previstos. O restante viria de uma combinação de cortes nos gastos e de diminuição dos juros que os EUA pagam sobre a própria dívida.
Essa redução permitiria que o governo arrecade o suficiente para cobrir todos os seus gastos, excluindo aqueles relacionados aos juros da dívida.
Hoje, o país possui US$ 14,2 trilhões em dívidas, enquanto o déficit orçamentário deve ficar entre US$ 1,5 trilhão e US$ 1,65 trilhão em 2011.
O aumento crescente nos gastos com saúde, o envelhecimento da população nascida na época do chamado "baby boom" e os encargos da dívida devem tornar o país ainda mais instável do ponto de vista fiscal nos próximos anos.
Na semana passada, os republicanos da Câmara dos Representantes apresentaram um plano para reduzir o nível de endividamento do país, que consistia em uma série de cortes nos gastos públicos e incluía reformas em programas de saúde federais, como o Medicare e o Medicaid.
Polêmica
A proposta que deve gerar mais polêmica consiste em um mecanismo legislativo que permitiria a adoção automática de cortes de gastos e aumentos de impostos se até 2014 as projeções orçamentárias mostrarem que a relação dívida/PIB não se estabilizou e começou a cair. Programas de previdência social e de saúde seriam poupados dos cortes nos gastos até mesmo nesse cenário, de acordo com a proposta do presidente dos EUA.
Um grupo bipartidário do Senado, conhecido como "grupo dos seis", está trabalhando em uma proposta própria para reduzir o orçamento com mecanismos semelhantes ao citado acima. Eles também têm como meta reduzir o nível de expansão do déficit em US$ 4 trilhões ao longo dos próximos anos. É possível que a Casa Branca tente alinhar sua proposta com o plano bipartidário.
No discurso, Obama também apresentou o que ele classificou como diferenças entre a visão republicana e a democrata do governo, algo que deve pautar o debate nas eleições de 2012. O presidente norte-americano comparou as diferenças entre o plano da Casa Branca e o elaborado pelos republicanos no que diz respeito a programas sociais.
Segundo Obama, a proposta republicana para programas de saúde, como o Medicaid e o Medicare, teria um impacto adverso sobre os cidadãos mais necessitados e aumentaria o custo de vida da população mais velha.
O líder da minoria no Senado, o republicano Mitch McConnell, disse que há senadores de ambos os partidos que são contrários a elevar o teto de endividamento, "exceto que haja mudanças significativas em relação ao orçamento".
Democratas liberais temem que Obama e outros líderes democratas estejam cedendo com muita facilidade à premissa básica dos republicanos, de que qualquer aumento no teto de endividamento deveria estar atrelado a amplas reformas no orçamento ou a cortes nos gastos públicos.
Campanha eleitoral
A questão fiscal prometer ser uma das mais importantes da campanha eleitoral. A oposição republicana vem acusando Obama de não ter conseguido lidar com o problema em seu primeiro mandato.
Antes de se dirigir à Casa Branca para o encontro com Obama, Eric Cantor, o número dois dos republicanos na Câmara dos Representantes, criticou a abordagem de Obama.
"Esse é um Obama antiquado. Ele fica de lado esperando que o restante de nós tome as decisões difíceis", disse.
Após o encontro, o maior adversário republicano do presidente, John Boehner, também mencionou a questão dos impostos.
"Acho que o presidente nos escutou em alto e bom som. Se vamos resolver nossas diferenças e fazer algo significativo, aumentar impostos não seria parte disso", declarou.

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